De pai para pai: 10 dicas que todo pai atípico precisa saber em 2025

De pai para pai: 10 dicas que todo pai atípico precisa saber em 2025
Publicado em 24/03/2025 às 16:26

Professor Elias Oliveira


De pai para pai, acolhendo e fortalecendo você para cuidar de quem mais importa.Caro pai, sei que estamos em minoria aqui, e que as mães acabam naturalmente com os principais cuidados do filho autista. No entanto, ser pai de maneira plena não é delegar para a mãe todos os cuidados da criação, pelo contrário, o nosso papel é fundamental na vida dos nossos filhos. Portanto, mesmo com a correria do trabalho e demandas externas, o apoio dado à família e a participação ativa no processo de terapia e desenvolvimento das crianças é muito recompensador. Vivenciar ativamente
esse processo vai criar laços muito, mas muito fortes e aumentar a união da família. Assim sendo, essas dicas auxiliarão você a encontrar o caminho certo nesta jornada. é uma conversa franca, com dicas práticas e objetivas. Vamos nessa.

  1. Organize seu tempo.
    Sei que, a partir do diagnóstico, tudo muda, com a necessidade de várias terapias e acompanhamento médico e, com isso, você terá que “correr atrás” de recursos, talvez até trabalhar mais. No entanto, tente separar um tempo com seu filho(a) e sua família.Quando paramos para pensar o que fazemos no dia a dia, vemos que muito do nosso
    tempo é desperdiçado com coisas fúteis.
    Neste momento, a prioridade é sua família,então se lembre de sair, passear com seu
    filho, esses momentos são fundamentais e ajudam na generalização do aprendizado da
    terapia para o mundo real.
  2. Planeje detalhadamente a saúde financeira da família. A partir de agora, tudo muda também do ponto de vista financeiro, possivelmente mais gastos, e isso vai ser uma preocupação frequente. Se a família tem plano de saúde, certifique-se de sempre manter as mensalidades em dia para não haver risco de interrupção; se não tem, pesquise na sua cidade se há serviços que prestem assistência pelo SUS e veja o que fazer para ter acesso. Priorize os gastos, corte o supérfluo e desnecessário, discuta isso com a
    família inteira e veja como é possível economizar.
  3. Planeje o futuro.Como o diagnóstico muda a dinâmica e a
    rotina da família, a depender do nível de suporte do seu filho(a), pode ser que ele não consiga se tornar independente no futuro.Então, planejar com calma questões como
    rede de apoio, finanças, cuidadores quando os pais não estiverem mais presentes, é uma etapa importante e deve ser tratada de maneira objetiva e serena.
  4. Cuide da sua saúde mental.
    Eu sei que nem sempre é fácil, mas você precisa lembrar: para cuidar bem do seu
    filho, é essencial cuidar de si. Encontre pequenos momentos no dia para respirar, relaxar ou apenas tomar um café sem pressa.
    Procure encontrar momentos de prazer em pequenas coisas da vida que, na correria do dia a dia, deixamos de contemplar. Tempo é o recurso mais valioso para o seu filho.

Aprenda como usá-lo da melhor forma!

  1. Cuide de sua saúde física. Lá vem você agora dizer que até atividade física é necessário fazer? Lógico!
  2. A atividade física é importante por várias razões.Está diretamente relacionada com o processo de cuidar de filhos especiais. Com as preocupações e a correria para conseguir as terapias, os cuidados, os materiais necessários, esquecemos de ir ao médico, de fazer exames regulares e isso custa caro, pois a mortalidade de pais de pessoas com deficiência é mais elevada do que na população geral. Dessa forma, atividade física é indispensável para vivermos mais, e, o mais importante, com qualidade, com funcionalidade. Outro ponto: atividade física também é importante para a saúde mental. Talvez no início tudo seja muito difícil e desgastante, mas, com o passar do tempo, com disciplina e prática, tudo vai se tornando mais prazeroso. E não precisa se matricular na academia e gastar mais com isso. Há uma grande quantidade de atividades orientadas por bons profissionais disponível na internet, ensinando a fazer exercícios em casa, e sem nenhum material adicional.
  1. Não tenha medo de pedir ajuda.
    Você não precisa carregar tudo sozinho com sua família. Tente estabelecer uma rede de apoio, com familiares e amigos, ou até mesmo com um profissional. A minha
    experiência nessa jornada mostrou que, muitas vezes, a gente recebe ajuda de quem nem esperávamos, vamos encontrar muita gente verdadeiramente bacana.
  2. Respeite seus limites.
    Não banque o fortão, o herói, você é humano, e tudo bem não dar conta de tudo. Permita-se descansar, chorar e recomeçar. O importante é continuar, mesmo que compassos pequenos. Dias de tempestade virão, mas dias de arco-íris também. O importante é persistir para ter cada vez mais dias
    ensolarados.
  3. Você vai errar, e está tudo bem.
    Lidar com todas as demandas de um filho autista não é nada fácil e é muito cansativo. Portanto, em momentos difíceis, você pode, sem querer, reforçar um comportamento inadequado do filho, discutir com
    ele, reagir de maneira indevida, não se lembrando das dicas do terapeuta ou da própria mãe, que provavelmente estará mais acostumada com as nuances do comportamento da criança no dia a dia. Não tenha vergonha de errar, faz parte. O importante é reconhecer o erro, aprender e tentar novamente.
  4. Estabeleça um período de
    “férias” como todo mundo.
    É muito comum que famílias “atípicas” prefiram manter sempre a rotina de terapias de maneira ininterrupta, pelo receio de
    regressão das habilidades em evolução da criança. Tanto é que os períodos de férias escolares costumam ser mais difíceis para
    nós. No entanto, a minha experiência e a da Carla mostram que um período fora da rotina, como viagens, mesmo que para destinos próximos, e uma imersão de vivência familiar, muitas vezes, determinam ganhos
    adicionais ao desenvolvimento de nossos filhos, além de propiciarem momentos únicos de lazer. Portanto, quando possível e disponível, não tenha medo de tirar férias com a família.
  5. Celebre as conquistas

Isso é fundamental. Com a jornada longa,
difícil e cansativa, acabamos sem perceber e valorizar as vitórias que vão acontecendo no caminho, porque nos preocupamos apenas com o futuro, com a próxima etapa. Pare e veja o progresso ocorrendo, mesmo que pequeno em alguns momentos, e grandes em outros.

Seja grato por esses momentos ecelebre com sua família.

Elias Oliveira é professor pós graduado em Direito Constitucional, Direito Processual,
Direito Penal, Gestão Pública, Direito Público e Direito trabalhista