Max Russi quer ser de Direita, mas o passado do PSB de Alckmin não o abandona

Redação
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi(PSB) parece ter tomado uma decisão que desafia não só a coerência política, mas também a inteligência do eleitor mato-grossense.
Com a janela partidária se abrindo em março de 2026, Max já admite nos bastidores — e em conversas confidenciais com a imprensa — que deverá migrar do Partido Socialista Brasileiro (PSB), o terceiro maior partido de esquerda do país, para o Podemos, sigla de centro-direita.
O PSB, vale lembrar, foi vice na chapa de Lula em 2022, numa aliança que resultou na volta da esquerda ao poder. É o mesmo PSB que tem mais de 650 mil filiados, ficando atrás apenas do PT de Lula (com mais de 1,6 milhão) e do PDT de Ciro Gomes (com mais de 1,1 milhão).

Como explicar então que Max Russi, até outro dia defensor ferrenho da esquerda, agora queira defender as bandeiras da centro-direita e se alinhar aos ventos do bolsonarismo? O que aconteceu com os princípios ideológicos e partidários?
Durante a eleição presidencial de 2022, Max Russi optou por um silêncio ensurdecedor. Evitou se posicionar claramente no embate entre Lula e Bolsonaro, como quem esperava ver de onde viria o vento mais forte. E agora, de olho na sobrevivência política e assustado com os cálculos frios do quociente eleitoral, decidiu pular do barco da esquerda e tentar pegar carona na força da direita em Mato Grosso.
O Podemos, partido que Max quer abraçar, é uma legenda de centro-direita, com apenas 15 deputados federais eleitos em 2022. Está longe dos gigantes como PL (99), União Brasil (59) e PP (47), mas ainda tenta ser relevante na política nacional.

Com essa filiação oportunista, no entanto, o partido pode estar assinando sua sentença de fraqueza e desmoralização. Como justificar a entrada de um político que, até outro dia, levantava as bandeiras ideológicas da esquerda, sendo inclusive defensor da causa socialista, para um partido que defende pautas conservadoras e liberais? A verdade é que a movimentação de Max pode ser um tiro no pé — e um presente para seus adversários.
A inspiração de Max Russi seria Ciro Gomes? Ou o coronelismo disfarçado?
Max Russi parece querer imitar Ciro Gomes, político de trajetória errática, que já passou por partidos da direita à esquerda e ficou conhecido no Ceará como “Coronel”, por seu estilo autoritário de lidar com opositores. A diferença é que Ciro tem um histórico de cargos relevantes: foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda e da Integração Nacional, deputado estadual e federal.
Já Max Russi, por enquanto, se limita a ensaiar um papel de protagonista nos bastidores da política estadual — e agora quer protagonizar o enredo “Salve-se quem puder” nas eleições de 2026.
Aliados já se afastam e o Podemos já perde força antes mesmo de ganhar.
Segundo fontes ligadas à presidência da Assembleia Legislativa, Max tem confidenciado que sua ida para o Podemos é uma estratégia para se aproximar da Direita, do bolsonarismo e da força conservadora em Mato Grosso, especialmente após as eleições municipais que deram a vitória a prefeitos e prefeitas identificados com a direita em cidades como Cuiabá, Varzea Grande, Rondonópolis, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste, Campo Novo e Sinop.
Mas a verdade é que, com sua filiação, o Podemos pode estar afastando lideranças locais, que veem em Max Russi um camaleão político e uma figura que causa rejeição em diversas regiões. Muitas lideranças paroquiais não aceitam o estilo concentrador e centralizador do deputado, que acumula poder, mas pouco compartilha.
Bolsonaro inelegível, mas ainda rei. E Max quer ser o vassalo?
Mesmo inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue como uma força incontestável da Direita. E quem quiser ser candidato a presidente em 2026 pela direita terá que passar pelo seu crivo. Será que Max quer colar sua imagem à de Bolsonaro para tentar sobreviver politicamente? E onde fica o respeito à história do PSB, partido que ele presidiu em Mato Grosso e defendeu em palanques e entrevistas? Onde fica o compromisso com os eleitores que acreditaram no seu discurso de justiça social, igualdade e defesa dos menos favorecidos, principais bandeiras defendidas pela Esquerda Brasileira?
Max não está sozinho na dança das cadeiras ideológicas. O ex-tucano Geraldo Alckmin, que dizia que Lula queria “voltar à cena do crime”, hoje é vice-presidente da República. A ex-deputada Rosa Neide também passou por situações políticas controversas. Mas a diferença é que Max não tem nem o carisma, nem a base fiel de Lula, Ciro ou Alckmin para sustentar esse salto de fé.

Max Russi estaria renegando suas origens políticas dentro do movimento da Esquerda Brasileira. A migração dele do PSB para o Podemos, escancara um projeto pessoal de Poder, sem fidelidade ideológica e sem compromisso com o eleitor. A tentativa de “pegar carona” no bolsonarismo e na centro-direita pode dar errado. E o Podemos, ao invés de crescer, pode se tornar o palco de mais uma farsa política, protagonizada por um deputado que vive em cima do muro… até que o muro comece a desabar.
A pergunta que fica é: o eleitor mato-grossense vai cair nessa outra vez?



