Prefeitura de Rosário Oeste pega “carona” em Ata da Prefeitura de Porto Velho- RO e contrata empresa cuiabana recém-criada em 2024

Prefeitura de Rosário Oeste pega “carona” em Ata da Prefeitura de Porto Velho- RO e contrata empresa cuiabana recém-criada em 2024
Publicado em 13/06/2025 às 23:05

Redação

A gestão do prefeito Mariano Balabam, em Rosário Oeste, firmou recentemente dois contratos que estão gerando uma onda de desconfiança e críticas entre vereadores, comerciantes e moradores. Publicados no Portal da Transparência da Prefeitura e no Diário Oficial da Associação Matogrossense dos Municípios ( AMM) como de costume, os documentos revelam movimentações de recursos públicos que desafiam o bom senso e colocam em xeque a real intenção da atual administração quando o assunto é transparência e compromisso com o desenvolvimento local.

Durante a campanha eleitoral, o então candidato Mariano Balabam (PSB) fazia duras críticas a esse tipo de prática. Questionava, com veemência, por que não se realizavam licitações locais, por que não se estimulava a concorrência dentro do próprio município, e por que sempre as mesmas estratégias de terceirização e adesões duvidosas eram utilizadas. Hoje, no entanto, faz exatamente o contrário do que pregava, decepcionando até mesmo apoiadores que acreditaram em sua proposta de mudança.

No primeiro contrato, a Prefeitura decidiu aderir à Ata de Registro de Preços do Município de Porto Velho, em Rondônia, para comprar materiais de construção destinados às secretarias municipais. O montante ultrapassa os R$ 897 mil e foi homologado em favor da empresa FEEL Materiais Elétricos e Construções Ltda, sediada em Cuiabá e criada apenas em 2024.

Uma empresa com histórico praticamente inexistente foi escolhida para atender um contrato volumoso sem qualquer concorrência local.

Apesar de legal, a decisão de aderir a uma ata de outro estado levanta questionamentos. Por que a Prefeitura optou por uma “carona” que ignora completamente os fornecedores de Rosário Oeste? A cidade realmente não possui empresas capazes de fornecer esse tipo de material? Ou essas empresas foram simplesmente descartadas em nome de uma conveniência que ainda não foi explicada?

Moradores apontam que a FEEL é de Cuiabá, embora a licitação tenha sido registrada em Porto Velho. Com isso, surge outro questionamento: qual é o custo real do frete e da logística? Se o material sai de Cuiabá, foi licitado em Rondônia e retorna para Rosário Oeste, quem está arcando com essa operação? E mais: quem se beneficia dessa engenharia jurídica? Com certeza, não é o pequeno comerciante local que paga impostos e gera empregos na cidade.

A indignação se aprofunda com a publicação da homologação da obra do CAPS I (Centro de Atenção Psicossocial), no valor de R$ 2.198.000,00. A empresa vencedora foi a Transmax Locadora e Construtora Ltda, já conhecida no meio político e com histórico de terceirizações.

Embora a obra seja fruto de um convênio federal, a condução do processo ficou sob responsabilidade da Prefeitura, que mais uma vez entregou um contrato milionário a uma empresa de fora, sem qualquer indício de valorização de empresas locais.

Nos bastidores, o nome do secretário de Infraestrutura começa a ser associado às decisões que envolvem a ata de Rondônia. Há quem diga que ele possui conexões na região, o que levanta dúvidas sobre os critérios adotados na escolha desse processo licitatório. O que justificaria essa preferência por um registro de preços tão distante geograficamente, enquanto fornecedores locais sequer foram consultados?

Para muitos, essa gestão tem se afastado dos princípios da ampla concorrência e da economicidade. A impressão que cresce entre os moradores é de que os contratos seguem um padrão repetitivo: mesmos nomes, poucas disputas, empresas novas ou com vínculos externos, pouca clareza e nenhuma valorização da economia local. O argumento da legalidade, frequentemente usado como escudo, já não basta. A população quer saber se essas escolhas realmente trazem vantagem para o município — ou se favorecem interesses restritos.

Enquanto isso, comerciantes de Rosário Oeste assistem de mãos atadas ao dinheiro público sendo direcionado para fora da cidade. Recursos que poderiam girar na economia local e impulsionar negócios já estabelecidos estão sendo canalizados para empresas que nem sequer têm histórico na cidade. O resultado é um sentimento crescente de abandono e desconfiança.

Por que não realizar uma licitação local? Por que não estimular a concorrência dentro do próprio município? Por que sempre as mesmas estratégias de terceirização e adesões duvidosas? São perguntas que o próprio Mariano Balabam fazia com frequência quando queria chegar ao poder — e que agora, no cargo de prefeito, se recusa a responder.

A cada nova movimentação financeira publicada silenciosamente no Portal da Transparência, cresce a percepção de que as decisões da atual gestão estão distantes dos interesses reais da comunidade. Se a prioridade fosse, de fato, buscar os melhores preços e fornecedores qualificados, Rosário Oeste teria olhado primeiro para dentro, não para fora. E enquanto isso não muda, o sentimento que fica é de frustração — e de que algo precisa, urgentemente, ser reavaliado.