Câmara de Primavera do Leste vive a política do “eu não vi nada”

Câmara de Primavera do Leste vive a política do “eu não vi nada”
Publicado em 05/06/2026 às 14:28

Pilão de Notícias

A denúncia apresentada pelo ex-procurador jurídico da Câmara de Primavera do Leste contra o presidente da Casa abriu uma discussão necessária sobre gastos públicos, diárias e fiscalização. Até aí, tudo dentro do jogo democrático.

O curioso é que alguns personagens parecem surgir apenas quando o incêndio já está alto.

Durante meses, as diárias foram pagas, as viagens aconteceram e a Câmara continuou funcionando normalmente. Agora, de repente, descobriram que existe fumaça.

A denúncia atinge diretamente o presidente da Câmara, mas seus reflexos respingam em toda a Casa Legislativa. Afinal, se há algo errado, seria difícil acreditar que apenas uma pessoa tinha conhecimento de tudo. Câmara Municipal não é monarquia. Ou pelo menos não deveria ser.

Outro detalhe interessante é que o ex-procurador que hoje denuncia ocupava cargo de confiança e possui relação profissional com um vereador bastante ativo nos bastidores políticos da cidade. Isso não torna a denúncia verdadeira ou falsa, mas certamente torna difícil acreditar na narrativa de que tudo aconteceu por mera coincidência.

Na política, coincidências costumam ser tão raras quanto vereador recusando diária.
Enquanto isso, muitos colegas seguem praticando o tradicional esporte da política brasileira: fingir surpresa. Alguns fazem cara de espanto, outros de indignação e há até quem tente convencer a população de que não fazia ideia do que acontecia dentro da própria instituição onde trabalha diariamente.
A pergunta que fica é simples: estamos diante de uma legítima preocupação com o dinheiro público ou de mais um capítulo de uma disputa política que já vinha sendo travada nos bastidores?

Talvez a resposta apareça nos próximos dias. Talvez não. O que já ficou claro é que, quando a crise estoura, ninguém quer ser o pai da criança. Mas quando os benefícios aparecem, a fila para tirar foto costuma ser bem maior.

E assim segue a política local: onde alguns fazem denúncias, outros fazem discursos e a população tenta descobrir quem está realmente preocupado com o interesse público e quem apenas escolheu o momento certo para puxar o gatilho político.
Porque, no fim das contas, o mais impressionante não é a denúncia.

A pergunta que fica é: até quando os vereadores continuarão fingindo que nada acontece? Se há suspeitas de utilização da estrutura institucional para disputas políticas que extrapolam o debate legislativo, talvez tenha chegado a hora de a própria Câmara discutir os limites estabelecidos pelo Regimento Interno e pela Lei Orgânica. Porque, pelo visto, alguns ainda confundem mandato parlamentar com licença para transformar a instituição em extensão de suas batalhas particulares.