Crise política em Rosário Oeste força “bolsonarista” Mariano Balabam a buscar “ajuda” do ex-prefeito esquerdista Zeno Gonçalves

Redação
Fontes ligadas à gestão do prefeito Mariano Balabam, que se apresenta publicamente como bolsonarista, relataram que assessores e secretários buscaram insistentemente o ex-prefeito, solicitando que ele se manifestasse em favor da atual administração, diante da crescente insatisfação popular. Atendendo ao chamado, Zeno declarou publicamente seu apoio e se colocou à disposição para representar o município em articulações políticas em Brasília, buscando recursos e fortalecendo a rede de apoio à atual gestão.
Zeno José Andrade Gonçalves, natural de Rosário Oeste, foi prefeito da cidade por dois mandatos e é lembrado pela postura firme, decisões estratégicas e compromisso com a população.

Hoje, ocupa o cargo de Secretário de Mobilidade Urbana do Distrito Federal, indicação pessoal do governador Ibaneis Rocha (MDB), reconhecimento que reforça sua experiência técnica e política, destacando-se além dos tradicionais acordos partidários.
Juliana Nunes, vice-prefeita, também tem se destacado no trabalho dedicado à defesa dos interesses comunitários, com atuação em projetos sociais e de infraestrutura, mesmo diante da turbulência política interna da atual gestão.
Neste ambiente conturbado, o Rosário Notícias tem encaminhado diversas denúncias à Promotoria Pública de Rosário Oeste, vinculada ao Ministério Público Estadual, que apontam suspeitas graves de nepotismo cruzado, uso indevido de recursos públicos e perseguições políticas contra servidores e opositores internos. A repercussão dessas denúncias gerou inquietação na população e pressionou as autoridades a tomarem medidas rigorosas, inclusive com a abertura de um Inquérito Civil e recomendação do MP para o desligamento imediato dos envolvidos.
Enquanto isso, a população revive uma nostalgia da época em que Zeno Gonçalves governava com disciplina, transparência e proximidade com o povo.

Sua administração buscava estabilidade institucional, valorização dos servidores públicos, diálogo aberto com associações de bairro, sindicatos e lideranças comunitárias, promovendo um senso de pertencimento no processo de gestão.
Por outro lado, Mariano Balabam, que se apresenta como bolsonarista e se declara de direita de carteirinha, é filiado ao PSB — partido que é o segundo maior partido de esquerda no Brasil, ficando atrás apenas do PT — e recebeu o apoio de partidos de centro-esquerda, centro e principalmente do grupo local do PT, deixando dúvidas sobre seu real posicionamento ideológico. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PT conta com aproximadamente 1,5 milhão de filiados no Brasil, enquanto o PSB possui cerca de 430 mil filiados. Essa aliança entre um prefeito que se apresenta como bolsonarista e um ex-prefeito simpatizante do maior partido rival da direita brasileira levanta questionamentos sobre coerência política e verdadeiros interesses.

Vale lembrar, nesse contexto político, a situação similar envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022: embora tenha gravado apoio ao ex-jogador Romário, candidato ao Senado pelo PL (Partido Liberal), declarou publicamente que votaria em Daniel Silveira, candidato a senador pelo PTB, que após fusão com o Patriotas, tornou-se PRD (Partido da Renovação Democrática). Essa incoerência nas declarações e apoios políticos reforça as dúvidas sobre alinhamentos e posicionamentos ideológicos genuínos.
A gestão atual, comandada por Mariano Balabam, que se apresenta como bolsonarista, tem sido marcada por uma postura mais fechada, dependente de vínculos políticos, nomeações questionadas por laços familiares de secretários municipais e políticos da “velha guarda” rosariense, entre estes alguns vereadores e falta de um atendimento mais transparente com a sociedade, criando um distanciamento entre o Poder Público e a população.
Moradores relatam redução na manutenção de vias, diminuição de atividades culturais, esportivas e ações de saúde pública que antes tinham ritmo mais constante.

A comparação entre as duas gestões é evidente para a população, que lamenta a falta de respostas, a priorização de acordos políticos em detrimento da eficiência administrativa, e uma sensação generalizada de que a cidade está sem rumo. Enquanto Zeno respondia às críticas com transparência, prestação de contas e presença nos bairros, hoje o acesso ao gabinete é difícil e os problemas cotidianos demoram a ser resolvidos.
As eleições de 2022 reforçaram o perfil político cultural da população rosariense, que mostrou preferência clara pela esquerda: Lula (PT) venceu em ambos os turnos, com 51,82% dos votos no primeiro e 51,75% no segundo, contra 42,67% e 48,25% de Bolsonaro (PL), respectivamente. Esse dado evidencia que, apesar da autoafirmação de Mariano Balabam como bolsonarista, o eleitorado local é majoritariamente alinhado à esquerda.
No momento em que a administração de Mariano Balabam, que insiste em se apresentar como bolsonarista, enfrenta sérias dificuldades para manter seu prestígio, a tentativa de resgatar apoio usando a popularidade do ex-prefeito petista Zeno Gonçalves surge como estratégia para manter o controle político. No entanto, essa união levanta dúvidas sobre a coerência e o futuro da gestão municipal.
A população, que já demonstrou sua preferência nas urnas e sente falta de uma liderança firme, próxima e eficiente que de fato esteja ligada ao atual presidente Lula e que possa defender Rosário Oeste com unhas e dentes, observa agora com desconfiança essa aliança inusitada. A política local vive um momento decisivo: será que a cidade seguirá a passos lentos e divididos, ou terá uma reavaliação que traga de volta a confiança e o desenvolvimento?



