Flávio Loureiro pede exoneração e expõe crise na Prefeitura de Rosário Oeste

Redação
A semana mal começou e já expôs, mais uma vez, que o slogan de campanha do prefeito Mariano Balabam — “Tempo de Reconstruir” — parece ter sido reinterpretado dentro da Prefeitura como “Tempo de Demolir”. E não estamos falando apenas dos prédios históricos que vêm sendo derrubados, apagando páginas vivas da história de Rosário Oeste. Agora, até cargos estratégicos caem como se fossem paredes podres prestes a ruir.
O caso mais recente envolve o pedido de exoneração de Flávio Loureiro (PSB), que havia assumido a Secretaria Municipal de Finanças no dia 31 de agosto.

A dança das cadeiras começou com o remanejamento da secretária Leila Oliveira Buffon para a Secretaria de Administração — pasta que ela já vinha respondendo interinamente — formalizado na Portaria nº 212/2025, publicada no Diário Oficial da AMM em 4 de agosto, e a nomeação de Loureiro para o cargo via Portaria nº 213/2025.

O que parecia uma simples reestruturação interna, na verdade, carrega nos bastidores uma disputa feroz de poder. Fontes do Gabinete Institucional apontam que a saída de Loureiro está diretamente ligada a um conflito interno entre o secretário de Governo Alexandre do Bauxi e o casal Leila e Elton Buffon (secretários de Administração e Infraestrutura, respectivamente). O pivô? A rejeição ferrenha ao retorno do ex-secretário Roberto, ligado ao ex-prefeito Alex Berto — justamente o adversário político que Balabam jurou não reaproximar.
Roberto e Flávio Loureiro são amigos de longas datas e ambos são amigos do ex-prefeito Alex Berto.

O vereador Flávio Loureiro, que sequer deu tempo para o suplente Marionei, policial penal, assumir o mandato por 30 dias, entrou no Paço Municipal como peça-chave para expandir a base política de Balabam e, ao mesmo tempo, reabrir as portas para velhos aliados de Alex Berto. Uma reviravolta que contradiz o discurso de campanha e reforça o cenário de “crise de identidade” na atual gestão.
E se a saída de Leila Buffon da Secretaria de Finanças foi motivada pela tentativa de proteger o assessor de imprensa Paulo Linhares — envolvido em um incidente com veículo da frota municipal na capital —, a permanência de Paulo no cargo mesmo após a polêmica reforça a teoria de que quem detém informações sensíveis tem cadeira cativa no governo.
O mais curioso? Enquanto prédios históricos são demolidos sem qualquer projeto de revitalização, a gestão Balabam se dedica a reconstruir pontes políticas com figuras que, há menos de um ano, eram alvos de duras críticas. A falta de comando e de um planejamento administrativo claro por parte do prefeito Mariano Balabam tem transformado Rosário Oeste em um laboratório de improvisos e acertos de contas políticos, onde decisões são tomadas ao sabor de disputas internas e não das necessidades da população. O caos administrativo que hoje se vê na cidade é fruto direto dessa ausência de liderança e de uma condução errática da máquina pública.
Agora, a pergunta que ecoa nos corredores da Prefeitura e nas rodas de conversa da cidade é simples: quem realmente manda no Paço Municipal? E, no ritmo em que as coisas andam, até onde vai esse “tempo de demolir” — de cargos, alianças e até da memória de Rosário Oeste?



