Gestão Balabam termina o ano de 2025 enfrentando críticas por excluir vice-prefeita e ampliar a influência de um secretário sem mandato

Gestão Balabam termina o ano de 2025 enfrentando críticas por excluir vice-prefeita e ampliar a influência de um secretário sem mandato
Publicado em 29/12/2025 às 10:34

Redação

Em Rosário Oeste, na semana que antecedeu o Natal, um episódio que a Prefeitura tentou vender como simples ação social acabou revelando uma engrenagem política que vem chamando a atenção — e a indignação — de grande parte da população. A visita do secretário de Governo Alexandre Taques Lucena, o popular Alexandre do Bauxi, à comunidade do Cedral, representando oficialmente o prefeito Mariano Balabam (PSB), deixou evidente aquilo que já circula nos bastidores da política local: O Município parece estar sendo conduzido por quem não foi eleito para isso. Enquanto o secretário distribuía chocolates, ouvia moradores, dialogava com lideranças e assumia uma agenda típica de chefe do Executivo, a vice-prefeita Juliana Nunes (PRD), eleita pelo voto popular e legitimada para exercer esse papel na ausência ou impossibilidade do prefeito em cumprir a agenda, simplesmente não aparecia. A ausência não foi pontual, tampouco coincidência. Ela se soma a uma sequência de fatos que revelam um padrão de exclusão institucional desde o início da atual gestão.

O caso do Cedral não foi isolado. Pelo contrário, serviu como símbolo de uma inversão política que vem se consolidando de forma silenciosa, porém cada vez mais perceptível. Alexandre do Bauxi deixou de ser apenas um secretário e passou a atuar como articulador, representante oficial, porta-voz político e operador das decisões mais relevantes do governo municipal. Já o prefeito Mariano Balabam, eleito pelo voto direto, passou a ser visto como uma figura que apenas chancela atos, assina documentos e observa à distância a condução política do município.

Essa distorção ganha contornos ainda mais graves quando se observa o histórico eleitoral de quem hoje exerce tamanha influência. Alexandre do Bauxi foi eleito vereador em 2020 pelo PSB com 244 votos, o equivalente a 2,57%. Em 2024, tentou a reeleição e obteve 250 votos, apenas seis a mais que no pleito anterior, resultado insuficiente para garantir novo mandato, ficando reprovado nas urnas e relegado à condição de primeiro suplente do partido. Ainda assim, mesmo sem o respaldo popular recente, passou a exercer forte influência sobre as decisões e os rumos da administração municipal, acumulando protagonismo político muito superior ao de representantes que efetivamente receberam autorização direta do eleitorado, o que alimenta a sensação de que a vontade popular foi relativizada em Rosário Oeste.

Segundo informações internas de fontes ligadas ao Gabinete institucional e ao próprio prefeito Mariano Balabam, decisões estratégicas do governo municipal passam previamente pelo crivo do secretário de Governo. Ao prefeito eleito caberia, em muitos casos, apenas formalizar atos já definidos, transformando o mandato conferido pelas urnas em um papel quase protocolar e esvaziando o sentido real da escolha popular.

Nesse ambiente de concentração de poder, a vice-prefeita Juliana Nunes passou a ocupar um lugar cada vez mais secundário dentro da própria gestão que ajudou a eleger. O prestígio político, a capilaridade eleitoral e a força de articulação que ela demonstrou durante a campanha parecem ter sido úteis apenas enquanto garantiam votos. Passada a eleição, a empresária foi sendo gradualmente afastada dos espaços de decisão, das representações institucionais e das agendas públicas, numa postura que vem sendo interpretada como desrespeito aberto ao papel constitucional do cargo.

A forma como Juliana Nunes vem sendo tratada desde os primeiros dias do governo Mariano Balabam levantou questionamentos que extrapolaram os limites do município. A Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, presidida pela deputada Janaína Riva (MDB) encaminhou representação ao Ministério Público Federal solicitando apuração de possível violência política de gênero contra a vice-prefeita, em razão de episódios públicos de desqualificação e esvaziamento de sua atuação atribuídos a integrantes do núcleo do governo, entre estes Alexandre do Bauxi. O caso ganhou repercussão e passou a simbolizar, para muitos, uma prática institucional que ignora mulheres eleitas e tenta reduzir sua atuação política.

Paralelamente a esse contexto, reportagens publicadas pelo Rosário Notícias e repercutidas pela Imprensa Regional passaram a revelar uma sucessão de desgastes envolvendo a gestão municipal. Entre os fatos mais graves estão denúncias de nepotismo desde o início do mandato, incluindo práticas classificadas como nepotismo cruzado e paralelo, com nomeações de parentes de agentes políticos e aliados em cargos estratégicos da administração. As denúncias foram formalizadas junto ao Ministério Público Estadual e apontam para uma rede de favorecimentos que contraria princípios básicos da moralidade administrativa.

O Rosário Notícias também trouxe à tona episódios que reforçam a imagem de uma gestão pouco aberta ao contraditório. Um deles foi a exoneração de uma ouvidora municipal após cobranças públicas por mais transparência, fato que gerou reação negativa em setores da sociedade e levantou dúvidas sobre a disposição do governo em conviver com críticas e mecanismos de controle. Outras matérias questionaram gastos públicos e possíveis conflitos de interesse envolvendo fornecedores ligados a ex-integrantes do primeiro escalão, ampliando o desgaste político da administração.

A cada nova agenda pública conduzida por Alexandre do Bauxi, a cada ato oficial realizado sem a presença da vice-prefeita, cresce entre os moradores a sensação de que Rosário Oeste vive sob um comando informal, exercido por quem não recebeu autorização direta das urnas. Ao mesmo tempo, aumenta a percepção de que o prefeito Mariano Balabam abriu mão do protagonismo do cargo, permitindo a consolidação de uma estrutura paralela de poder dentro da Prefeitura.

Diante desse conjunto de fatos, a população de Rosário Oeste passa a se perguntar quem, de fato, governa o município, quem define prioridades, quem toma decisões e quem deve responder por elas. Um governo que ignora sua vice-prefeita, relativiza o voto popular, enfrenta denúncias recorrentes de nepotismo, é alvo de questionamentos sobre violência política de gênero e concentra poder em figuras rejeitadas nas urnas não fragiliza apenas pessoas, mas compromete a própria democracia local.

Rosário Oeste não precisa de prefeito figurativo nem de secretário elevado à condição de chefe informal do governo. Precisa de respeito às instituições, às mulheres eleitas pelo povo, à transparência administrativa e à vontade expressa nas urnas. Qualquer coisa diferente disso representa um retrocesso político que já não passa despercebido pela opinião pública e que tende a cobrar um preço alto no julgamento popular.