Professores e funcionários da Educação ocupam Prefeitura de Rosário Oeste e deliberam greve geral após falta de diálogo com a Gestão Municipal

Professores e funcionários da Educação ocupam Prefeitura de Rosário Oeste e deliberam greve geral após falta de diálogo com a Gestão Municipal
Publicado em 01/06/2026 às 22:30

Redação

O clima esquentou na manhã desta segunda-feira (1º de junho) no município de Rosário Oeste. Servidores da educação pública municipal, acompanhados pela diretoria do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) / Subsede de Rosário Oeste, realizaram um “Dia D” de paralisação e protesto, que culminou na ocupação do saguão principal de entrada da Prefeitura Municipal. Sem receber atendimento por parte do Executivo, a categoria votou e aprovou indicativo de greve geral a partir das próximas 72 horas.

A mobilização, coordenada pelo diretor da subsede, professor Moisés, e pela professora Edna Alves, teve início por volta das 8 horas da manhã. Utilizando apitos, faixas, cartazes e gritos de ordem, os profissionais ocuparam o espaço interno do prédio institucional para cobrar uma resposta oficial sobre a pauta de revendicações da categoria. Entre as principais demandas estão o cumprimento do Piso Salarial Nacional da Educação, a Revisão Geral Anual (RGA) e a cobrança pela realização de um concurso público para o setor, apontado como fortemente defasado na cidade.

Em discursos realizados em frente e dentro da sede do Executivo, a professora Edna Alves criticou duramente a postura da gestão e apontou o uso de justificativas jurídicas e prazos eleitorais para postergar o debate sobre as melhorias salariais e de carreira.

Ela afirmou que o sindicato tem a leitura de que a gestão vai enrolando e ganhando tempo enquanto a história persiste, para depois apresentar a lei eleitoral e alegar a impossibilidade de mexer no estatuto ou de aplicar o piso, fazendo com que no ano que vem tudo volte ao normal. Edna pontuou também que, há tempos, o município opera sem a realização de concursos públicos necessários para preencher o quadro permanente e que há distorções na folha de pagamento enviada ao Tribunal de Contas, apontando que está passando do número de profissionais interinos.

Apesar de o grupo ter permanecido por horas no saguão central da prefeitura com o objetivo claro de abrir uma mesa de negociação direta, nenhum representante do alto escalão municipal — incluindo o prefeito Mariano ou o secretário de governo Alexandre do Bauxi— compareceu para dialogar.

De acordo com informações obtidas junto a fontes ligadas ao próprio gabinete institucional, a única resposta transmitida aos manifestantes, por meio da recepção, foi a de que os gestores não se encontravam no prédio naquele momento. De acordo com relatos dos professores presentes, essa já é a terceira vez somente este ano em que a categoria tenta uma audiência presencial na prefeitura para tratar das pautas de forma pacífica, sendo ignorada em todas as ocasiões.

Veja o vídeo clicando aqui.

Diante do impasse e da longa espera no local, os servidores organizaram um lanche improvisado com mantimentos levados por eles mesmos no próprio saguão de entrada.

Após constatarem o esvaziamento administrativo e a recusa no atendimento, os profissionais da educação se reuniram em assembleia geral ali mesmo, no interior do prédio, para deliberar os rumos do movimento. Em votação unânime, cercada por cartazes com dizeres como “Estamos em estado de greve – Prefeito foge do diálogo e da responsabilidade” e “Prefeito Marianoooo, receba os profissionais da educação, a educação não pode esperar”, os servidores aprovaram a deflagração de greve em todas as escolas da rede municipal.

A categoria concedeu um prazo legal de 72 horas — a contar desta segunda-feira, 1º de junho — para que a Prefeitura de Rosário Oeste se manifeste oficialmente junto ao Sintep.

Considerando que o ato e a contagem se iniciaram neste dia 1º de junho (segunda-feira), o prazo correspondente às 72 horas se encerrará oficialmente na próxima quinta-feira, dia 4 de junho. Caso não ocorra uma proposta formal que atenda às reivindicações de piso e carreira até esta data, as aulas e atividades administrativas nas unidades escolares municipais serão totalmente paralisadas ao fim do prazo estipulado, tempo este também reservado para a organização interna das comissões de greve em cada escola.

O espaço permanece aberto para que a Prefeitura Municipal de Rosário Oeste possa manifestar o seu posicionamento e encaminhar uma nota oficial sobre as reivindicações e a deliberação dos servidores.