Professores retornam às salas de aula, mas deixam recado para o prefeito Mariano Balan: “A luta continua”

Professores retornam às salas de aula, mas deixam recado para o prefeito Mariano Balan: “A luta continua”
Publicado em 19/06/2026 às 22:10

Redação (Com Informações do Página 1)

Fotos: Página 1

Após cerca de duas semanas de impasse que colocou a educação municipal no centro de uma das maiores crises administrativas dos últimos meses em Rosário Oeste, os trabalhadores da rede municipal decidiram suspender temporariamente a greve e retomar as atividades nas escolas.

A decisão foi tomada em assembleia da categoria após avanços nas negociações com a Prefeitura, permitindo o retorno dos alunos às salas de aula e a retomada gradual da rotina escolar.

O retorno das atividades foi aprovado após a administração municipal concordar com o pagamento integral do Piso Salarial Nacional aos professores e conceder reajuste de 6,39% aos profissionais de apoio e técnicos da educação. Apesar do avanço, a categoria deixou claro que a suspensão da greve não representa o encerramento definitivo do movimento.

O acordo firmado ainda depende da aprovação de um projeto de lei pela Câmara Municipal para garantir juridicamente os compromissos assumidos durante as negociações.

A crise que levou à paralisação teve origem muito antes da suspensão das aulas. No início de junho, professores, técnicos, merendeiras, motoristas e demais profissionais da educação ocuparam o saguão da Prefeitura Municipal em um ato de protesto contra o que classificavam como falta de diálogo da Gestão Municipal. Na ocasião, a categoria cobrava o cumprimento do Piso Salarial Nacional, a Revisão Geral Anual (RGA), a realização de concurso público e melhorias estruturais para a rede municipal de ensino.

O episódio ganhou repercussão após os manifestantes permanecerem por horas aguardando atendimento por parte do Executivo. Segundo relatos dos servidores e dirigentes sindicais, nenhum representante do alto escalão da administração compareceu para abrir uma mesa de negociação. A ausência foi interpretada pela categoria como sinal de desprestígio às reivindicações dos profissionais da educação e acabou fortalecendo o movimento que culminou na greve.

Agora, com o retorno das aulas, pais e estudantes respiram aliviados. No entanto, permanecem as cobranças sobre a condução da crise. Para muitos profissionais, a pergunta continua sem resposta: se havia condições para avançar nas negociações e atender parte das reivindicações, por que foi necessário chegar ao ponto de interromper o calendário escolar, mobilizar centenas de trabalhadores e provocar desgaste político para que as demandas da educação fossem finalmente ouvidas?

A suspensão da greve representa uma trégua, mas os problemas estruturais apontados pela categoria continuam sobre a mesa. Entre eles estão a reformulação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), a realização de concurso público, melhorias no transporte escolar, reformas das unidades de ensino e investimentos na qualidade da merenda escolar. Questões que, segundo os trabalhadores, não podem voltar a ser adiadas quando os holofotes da crise se apagarem.